Tribunal do Júri reconheceu motivo fútil, meio cruel e feminicídio; cantor começará a cumprir a pena em regime fechado.
O cantor Gustavo foi condenado a 28 anos de prisão pelo feminicídio de Karen Mancini, de 39 anos. O julgamento terminou no sábado, 29 de agosto, no Tribunal do Júri de Niterói, no Rio de Janeiro.
O julgamento de Gustavo pela morte de Karen terminou com a condenação por homicídio triplamente qualificado. Os jurados reconheceram as qualificadoras de motivo fútil, meio cruel e feminicídio.
Clodoaldo Queiroz de Oliveira, conhecido artisticamente como Gustavo, integra a dupla Tony e Gustavo. A sentença estabelece que o cantor deverá iniciar o cumprimento da pena em regime fechado e permanecer preso.
Gustavo é condenado por feminicídio de Karen Mancini
O crime aconteceu em abril de 2024, dentro da residência onde Karen e Gustavo viviam em Lumiar, distrito de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro.
Durante o julgamento, a acusação apresentou aos jurados os elementos reunidos ao longo da investigação. A perícia concluiu que Karen morreu em consequência de hemorragias e de um traumatismo craniano provocado durante as agressões.
O Tribunal do Júri entendeu que Gustavo foi responsável pela morte e acolheu as três qualificadoras apresentadas. A condenação por feminicídio reconhece que Karen foi assassinada em um contexto relacionado à violência de gênero e à relação mantida com o réu.
A decisão ainda pode ser contestada pela defesa em instâncias superiores. A possibilidade de recurso, contudo, não suspendeu a prisão determinada após o julgamento.
Laudo identificou 114 lesões no corpo da vítima
Um dos pontos mais graves apresentados no processo foi o laudo que identificou 114 lesões no corpo de Karen Mancini. Os ferimentos foram encontrados no rosto, pescoço, braços, tórax, abdômen e pernas.
A perícia também registrou lesões internas no crânio e hemorragias. A quantidade e a distribuição dos ferimentos ajudaram a sustentar a qualificadora de meio cruel reconhecida pelos jurados.
Na sentença, a juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce destacou que Karen foi agredida dentro da própria residência e atingida repetidamente em diferentes partes do corpo, especialmente na região da cabeça.
A magistrada também considerou o fato de o réu não ter prestado socorro à vítima. Essa conduta foi mencionada na fundamentação usada para definir a pena de 28 anos de prisão.
Defesa de Gustavo negou participação no crime
Durante o processo, a defesa sustentou que o cantor Gustavo não matou Karen. Os advogados afirmaram que ele estava internado no Hospital Municipal Raul Sertã quando o crime teria acontecido.
Segundo a versão apresentada pela defesa, Gustavo teria encontrado a companheira morta ao retornar para casa. Os representantes do artista também questionaram a forma como parte das provas foi coletada durante a investigação.
Os argumentos foram apresentados aos jurados, mas não prevaleceram. O conselho de sentença acolheu a acusação e considerou Gustavo culpado pelo homicídio triplamente qualificado.
Após a condenação, a defesa não informou imediatamente quais medidas adotará. A sentença poderá ser questionada por meio dos recursos previstos na legislação.
Família de Karen se manifesta após condenação
Caroline Mancini, irmã de Karen, afirmou que nenhuma sentença será capaz de trazer a vítima de volta. Para a família, entretanto, a decisão representa o reconhecimento judicial da violência sofrida por ela.
Antes do crime, Caroline já havia relatado que a irmã enfrentava um relacionamento marcado por agressividade. Segundo ela, Karen chegou a procurar uma delegacia para solicitar uma medida protetiva.
O caso ganhou repercussão nacional devido à violência registrada pela perícia e à atuação de Gustavo na música sertaneja. A responsabilização criminal, porém, diz respeito exclusivamente à conduta individual reconhecida pelo Tribunal do Júri.
Com a decisão, Gustavo condenado por feminicídio deverá permanecer preso e começar a cumprir a pena de 28 anos em regime fechado, enquanto a família de Karen Mancini encerra uma etapa judicial iniciada depois do crime ocorrido em 2024.
