Ativistas denunciam maus-tratos com animais de rodeio na ExpoLondrina

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Vídeo gravado pelo Movimento Londrina Sem Rodeio mostra touros e bois recebendo choques, chutes, socos e outras agressões.

O grupo Londrina Sem Rodeio entregou à Câmara de Vereadores de Londrina imagens que mostram animais sendo agredidos durante o rodeio realizado no último fim de semana na ExpoLondrina. As provas de maus tratos a bois e touros também serão entregues à Promotoria de Meio Ambiente.

Com os flagrantes trazidos a público, o grupo espera colocar Londrina fora do mapa dos rodeios, junto com 50 cidades brasileiras em que leis municipais e ações judiciais proíbem a realização destes eventos. A Lei de Crimes Ambientais pune agressões a animais com detenção de 1 ano a 3 anos, além de multa.

Segundo integrantes do grupo, as imagens foram gravadas no último dia da etapa de Londrina do Professional Bull Riders (PBR), realizada na arena do Parque de Exposições Ney Braga. As fotos e vídeos estão armazenados na comunidade “Londrina sem rodeios”, no Facebook.

Em um dos vídeos já disponibilizados na internet, com cerca de três minutos de duração, peões aparecem “preparando” animais para entrar na arena. Um deles, tem um bastão que serve, aparentemente, para espetar os bois. Outro peão também carrega um bastão metálico, de um metro, com o qual bate na cabeça dos animais que esperam para ser montados.

Em um outro flagrante, um peão está sentado na área de “preparo” dos bichos com um bastão amarelo que, afirmam os ativistas, é usado para dar choques e estressar os bois para a competição. O uso de choques em animais em rodeios também é proibido por lei federal.

Puxões pelo rabo

Outras cenas mostram os peões, repetidamente, puxando os rabos dos animais, de forma agressiva, por entre as barras de ferro do cercado, onde os bichos estão confinados.

“As agressões não são escondidas. Gravei tudo a menos de dois metros da arquibancada onde eu estava”, diz a ativista responsável pelos flagrantes, sem se identificar por medo de ameaças.

“Inicialmente, pensava que os animais eram provocados apenas momentos antes de entrar. Mas os maus tratos são constantes: vi animais sendo agredidos por três horas seguidas, das 19h às 22h, até entrarem”, conta.

“Ficam horas confinados, sendo torturados sem parar. Não tem respiro: recebem pontapés na cabeça, choques, esporadas, são espetados com hastes com ganchos na ponta. Além disso, aguardam perto das caixas de som com volume altíssimo e se assustam com os fogos de artifício. Chocante”, disse a testemunha, que após 3 horas de gravações decidiu parar “porque não suportava mais ver aquilo”.

De acordo com a ativista, o grupo cogitou utilizar um drone para chegar perto da área dos animais – mas desistiu ao perceberem que os maus tratos eram praticados muito próximos à plateia. “Com vários veículos de comunicação e repórteres ali, ninguém se interessava por isso”, lamentou.

Enquanto faziam as imagens, o grupo foi abordado por um homem que se identificou como dono de parte dos animais. “Ele nos exigiu que parássemos a gravação, mas despistamos e seguimos. Não podíamos desistir de obter provas que nos dessem certeza para afirmar: há maus tratos no rodeio e o público não tem ideia do que acontece para existir todo aquele show e euforia”, diz. “É a crueldade a um palmo dos nossos narizes”.

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