Extintos da TV aberta, programas sertanejos poderiam bombar a audiência das grandes emissoras

Emissoras de TV aberta deveriam voltar a investir em programas sertanejos (Foto: Reprodução/Internet)
Emissoras de TV aberta deveriam voltar a investir em programas sertanejos (Foto: Reprodução/Internet)

Sucessos de audiência como o especial de 15 anos de carreira do Luan Santana provam que apostar na música sertaneja é rentável para as emissoras de TV Aberta

Os programas sertanejos foram uma tradição nos programas de TV aberta nas últimas décadas, especialmente na ‘velha geração’ da música. Mas, a partir de qual momento eles passaram a ser extintos e se tornaram raridade para o público? E será que uma volta triunfante poderia movimentar os índices de audiência de maneiras que, há tempos, não presenciamos na televisão brasileira?

Vamos começar essa análise relembrando alguns dos maiores programas sertanejos que marcaram histórias e serviram de porta de entrada para muitos cantores e duplas rumo ao sucesso nacional. Há décadas, os sertanejos dominavam a TV aberta e conquistavam grandes audiências celebrando a cultura caipira e apresentando seus maiores sucessos.

Fomos ao fundo do baú para te relembrar de alguns dos principais programas sertanejos que se eternizaram no coração dos fãs. Entre eles, se destacaram:

  • “Festa na Roça”
  • “Som Brasil”
  • “Estação Brasil”
  • “Especial Sertanejo”
  • “Raízes do Campo”
  • “Brasil Rural”
  • “Terra Nativa”
  • “Viola, Minha Viola”
  • “Sabadão Sertanejo”
  • “Bem Sertanejo”
  • E muitos outros!

Nomes como Chitãozinho e Xororó, Guilherme e Santiago, Inezita Barroso, Michel Teló e muitos outros se mostraram grandes apresentadores e ‘camaradas do público’. E até Donizeti Camargo, voz de “Galopeira” que virou caminhoneiro após perder tudo durante a pandemia, aproveitou dessa oportunidade para se consagrar com a grande massa.

Sendo predominantes na década de 80, 90 e até nos anos 2000, os programas sertanejos passaram a ser cada vez mais desligados da TV aberta. O motivo? Não sabemos, mas temos a certeza de que emissoras perderam grandes níveis de audiência com a mudança em suas programações.

Após as mortes de Inezita Barroso (1925/2015) que comandava o clássico “Viola Minha Viola”, na TV Cultura, e Rolando Boldrin (1936 – 2022), que comandava o “Sr. Brasil”, da TV Brasil, o público ficou com opções bem restritas de programas sertanejos na TV aberta.

Recentemente a Globo inseriu o “Bem Sertanejo” no Fantástico sob o comando de Michel Teló, mas não deu espaço para o programa brilhar sozinho, o que poderia muito bem angariar novos públicos. E em um passado não muito distante, a emissora também apostou no especial “Amigos” e também no projeto “Sintonize”, que foi gravado durante um dos festivais do VillaMix.

Embora o SBT e a Band tenham ensaiado no ano passado alguns projetos sertanejos, nada saiu do papel. Dessa forma, a única emissora que ainda brilha com os programas do gênero é a TV Aparecida, que continua investindo em qualidade e trazendo semanalmente grandes convidados.

A emissora é dona do “Terra da Padroeira”, comandado por Kleber Oliveira e o personagem Menino da Porteira, e do “Aparecida Sertaneja”, comandado pela apresentadora Mariangela Zan. Ambos os programas tem quadros personalizados, contam histórias do gênero, homenageiam grandes personalidades e trazem grandes apresentações para o público.

E funciona muito bem, já que constantemente a emissora aparece entre as mais assistidas com seus programas sertanejos. Nesse caso, seria a TV Aparecida um case de sucesso e um demonstrativo do que as outras emissoras podem vir a apostar daqui para frente?

Por que não apostar em programas sertanejos?

(Foto: Reprodução/Internet)
(Foto: Reprodução/Internet)

O show recente de Luan Santana na Globo prova muito bem que sim, programas sertanejos dão audiência para a TV aberta. E a emissora carioca já havia experimentado isso com o especial “Amigos” no fim de 2019. Dessa vez, a voz de “Meteoro”, em seu show comemorativo de 15 anos de carreira, alcançou nada menos que 28 milhões de pessoas com a transmissão.

Esse número deu a Luan Santana 15,4 pontos no Ibope, três vezes mais que o SBT com seus 5,2 no Programa do Ratinho. Em 2019, com o especial “Amigos”, o resultado foi ainda mais empolgante para a Globo: foram 24 pontos no Ibope, tendo uma das melhores audiências de especiais de fim de ano da emissora.

Os números não mentem. Sertanejo dá audiência e ainda continuamos nos perguntando o porquê das grandes emissoras esnobarem, de certa forma, o gênero mais consumido do Brasil atualmente, inclusive entre os jovens, ao invés de voltar a agraciar o público com programas sertanejos de qualidade.

Ao invés disso, as grandes emissoras insistem ano após ano em reality shows massivos, cansativos e saturados, que estão cada vez mais devastados entre o público. Mas, aqui, devemos assumir que ainda rendem muitos comentários e debates nas redes sociais, aliás, mais que qualquer outra coisa transmitida na televisão.

Seria esse o motivo dos programas sertanejos estarem sendo cada vez mais extintos da TV aberta?

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