Exclusivo: empresário do cantor Daniel é envolvido em escândalo de garimpo ilegal em terras indígenas

Uma investigação da Polícia Federal sobre um esquema de garimpo ilegal nas terras Yanomamis chegou até o empresário do cantor Daniel

O empresário Matheus Possebon, conhecido por gerenciar a carreira de renomados artistas da música brasileira, incluindo Daniel, Seu Jorge, Ana Carolina, Munhoz e Mariano, entre outros, se encontra sob investigação da Polícia Federal devido ao seu suposto envolvimento em um esquema de garimpo ilegal em Terra Yanomami.

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Além de sua atuação como empresário, Possebon também possui incursões na carreira musical e já gravou em estúdios internacionais. No entanto, ele está sendo investigado como um dos responsáveis pelo núcleo financeiro dos crimes relacionados ao garimpo ilegal.

Segundo informações do Metrópoles, a operação que investiga o empresário de Daniel faz parte da chamada Operação Disco de Ouro, que tem como objetivo desarticular um esquema de financiamento e logística para o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami (TIY). Segundo as investigações, essa organização criminosa teria movimentado cerca de R$ 250 milhões.

A operação foi deflagrada em 4 de dezembro e incluiu mandados de busca e apreensão em várias cidades, incluindo Santos (SP), onde a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra o cantor Alexandre Pires, que estava se apresentando em um cruzeiro na região.

A Justiça também determinou o sequestro de mais de R$ 130 milhões em bens dos suspeitos envolvidos no esquema.

Esquema de garimpo e outros envolvidos

Matheus Possebon, empresário de Daniel (Foto: Reprodução/Internet)
Matheus Possebon, empresário de Daniel (Foto: Reprodução/Internet)

As investigações apontam que Matheus Possebon seria um dos responsáveis pelo aspecto financeiro do esquema de garimpo ilegal. No catálogo de artistas gerenciados por sua empresa, está o cantor Alexandre Pires, que também está sob investigação por suposta participação no esquema. Alega-se que o pagodeiro teria recebido ao menos R$ 1 milhão de uma mineradora investigada.

A operação é um desdobramento de outra ação da PF, ocorrida em janeiro de 2022, quando 30 toneladas de cassiterita extraída da TIY foram encontradas na sede de uma empresa investigada.

As investigações apontam que o esquema envolvia “lavagem” de cassiterita retirada ilegalmente da terra Yanomami, com a declaração falsa de que o minério era originário de um garimpo regular no Rio Tapajós, em Itaituba (PA), sendo supostamente transportado para Roraima para tratamento. No entanto, o minério era originário do próprio estado de Roraima, e a dinâmica ocorria apenas no papel.

O caso também envolvia transações financeiras abrangendo toda a cadeia produtiva do esquema, com participação de pilotos de aeronaves, postos de combustíveis, lojas de máquinas e equipamentos para mineração, além do uso de “laranjas” para encobrir movimentações fraudulentas.

O desdobramento das investigações e os desdobramentos legais ainda serão divulgados, e a Justiça deverá determinar os desfechos apropriados.