Zé Neto e Cristiano criticam a Lei Rouanet, mas recebem milhões de cachê de verba pública

Saiba a que pé anda a polêmica envolvendo Zé Neto e Cristiano, Anitta e a Lei Rouanet, que ganhou a internet nos últimos dias

No último final de semana, fomos surpreendidos com um vídeo de uma declaração problemática do cantor Zé Neto durante um show na cidade de Sorriso, no Mato Grosso do Sul, que tirou muita gente do sério. O cantor sertanejo, que já foi cancelado diversas vezes pela internet por aglomerar durante a pandemia, fazer piada de cunho homofóbico em uma live e vários outros motivos, mais uma vez está na boca do público.

Se você ainda não se situou sobre o assunto, relaxa que eu te explico tudo a partir de agora. Zé Neto usou um pedaço do seu show na cidade Mato-grossense para atacar Anitta e a Lei Rouanet, que incentiva a realização de projetos e ações culturais. O motivo disso tudo? Ainda não sabemos.

Sorriso, Mato Grosso, um dos Estados que sustentou o Brasil durante a pandemia”, diz o cantor no vídeo. “Nós somos artistas que não dependemos de Lei Rouanet, o nosso cachê quem paga é povo, a gente não precisa fazer tatuagem no ‘toba’ pra mostrar se a gente tá bem ou não, a gente vem simplesmente aqui e canta. E o Brasil inteiro canta com a gente… Olha aqui, oh, será que tá ruim?” discursou o sertanejo durante sua apresentação.

Apesar de tal declaração emblemática, muito clássica entre apoiadores do Presidente Jair Bolsonaro, as coisas não acontecem exatamente da como a forma que Zé Neto declarou no show. Quem nos mostrou isso foi o jornalista  Demétrio Vecchioli, que chamou minha atenção ao denunciar em seu perfil do Twitter os valores altíssimos que Zé Neto e Cristiano recebem de verba pública.

Mas pera aí, isso não vai contra o que o cantor sertanejo pregou em seu show? Exatamente, se você, meu leitor, pensou isso, está correto. A partir do momento que Zé Neto e Cristiano e qualquer outro cantor critica a Lei Rouanet, mas recebe seu ‘humilde cachê milionário‘ de dinheiros de prefeituras ou público, seja de qualquer proveniência, está em contradição, pois a lei literalmente incentiva tais recursos para a cultura.

Após essa breve explicação sobre a lei, vamos aos fatos apresentados por Demétrio. Em uma thread no Twitter, o jornalista expôs vários comprovantes que provam uma série de cachês altíssimos financiados por dinheiro público. Ah, e ainda não acabou: ele ainda expôs que nenhum show tem a devida licitação.

Quais são os valores recebidos pela dupla sertaneja?

Nos prints postados por Demétrio, destaca-se a informação do show de Sorriso (MS), esse mesmo show realizado na última semana por Zé Neto e Cristiano que serviu de palco para a polêmica. E você acredita que tal apresentação foi financiado pela prefeitura e custou nada menos que R$ 400 mil?

Zé Neto e Cristiano atacam quem capta recursos da Lei Rouanet, federal. Mas eles vivem de receber muito dinheiro de prefeituras pequenas, sempre sem licitação. Alguns exemplos no fio”, escreveu o jornalista na publicação que expõe os valores a seguir:

  • R$ 550 mil de Extrema (MG)
  • R$ 400 mil de Sorriso (MT)
  • R$ 403 mil de Sebastianópolis do Sul (SP)
  • R$ 250 mil de Itabaiana (SP)
  • R$ 253 mil de Colina (SP)
  • R$ 203 mil de Araporã (MG)
  • R$ 180 mil de Campos Gerais (MG)
  • R$ 253 mil de Colina (SP)
  • R$ 320 mil de Uruana (GO)

A quantia recebida no total foi de cerca de R$ 3 milhões. Como um bom jornalista, Demétrio também explicou o motivo da contratação e reclamação de Zé Neto e Cristiano ser contraditória: “Eles são contratados por inexibilidade. A prefeitura fala: quero contratar a dupla tal. A dupla diz: tem que pagar pra empresa tal, o valor é esse. E a prefeitura vai lá e paga o valor pedido (justo ou nao) pra empresa indicada”, começou.

“Na Rouanet o artista pede dinheiro tipo pra montar um álbum. No projeto, ele coloca quanto custa a hora do técnico de som, o aluguel do estúdio, o fotógrafo… apresenta três orçamentos. O governo aprova o valor, e autoriza a pedir doações pras empresas, que descontam no Imposto de Renda”.