Justiça reconheceu responsabilidade solidária da dupla, mas não afirmou que os cantores participaram diretamente da agressão relatada.
Jorge e Mateus foram condenados após uma noite de trabalho terminar em ocorrência policial. A disputa envolveu os profissionais Nathalia Magalhães da Silva e Pedro Henrik Meira da Silva, contratados para atender a dupla durante a Festa do Peão de Americana.
A decisão que deixou Jorge e Mateus condenados estabeleceu o pagamento de aproximadamente R$ 50 mil aos profissionais. A Justiça reconheceu a responsabilidade solidária dos réus pelo tratamento ocorrido nos bastidores, embora não tenha apontado participação direta dos cantores na agressão relatada no processo.
O caso percorreu diferentes instâncias e chegou ao fim depois da análise de vídeos, documentos, depoimentos e laudo pericial. A defesa contestou as acusações, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve o reconhecimento dos fatos e ajustou o valor da reparação.
Profissionais aguardaram durante horas nos bastidores
Nathalia e Pedro foram contratados para prestar serviços à dupla durante a Festa do Peão de Americana. Conforme as informações do processo, eles chegaram ao evento por volta das 20h02.
Os profissionais, porém, só conseguiram entrar no camarim às 22h35. Pouco tempo depois, foram retirados do local sob a justificativa de que Jorge e Mateus precisariam trocar de roupa.
A partir daquele momento, Nathalia e Pedro teriam permanecido aproximadamente quatro horas em um corredor de serviço. Segundo o relato apresentado na ação, eles ficaram sem água e alimentação enquanto aguardavam para realizar o trabalho contratado.
O show começou por volta das 2h28. Ao perceberem que a apresentação havia sido iniciada, os profissionais entenderam que não seriam mais chamados para prestar o atendimento combinado.
A longa espera passou a fazer parte da acusação de tratamento degradante nos bastidores. O episódio, que deveria ter sido apenas mais uma noite de trabalho, tornou-se o início de uma disputa judicial de grande repercussão.
Materiais teriam sido usados sem autorização

Depois do início do show, Nathalia e Pedro retornaram ao camarim para buscar seus pertences. Segundo a versão apresentada no processo, eles encontraram maquiagens e equipamentos revirados e com sinais de utilização.
Um integrante da equipe teria informado que a esposa de Jorge fez a maquiagem dos cantores utilizando os produtos deixados pelos profissionais. Nathalia e Pedro afirmaram que não autorizaram o uso dos materiais e que sequer foram chamados para executar o serviço para o qual haviam sido contratados.
A situação ampliou o conflito porque os itens faziam parte do material profissional levado ao evento. Além de não realizarem o trabalho, eles alegaram que os produtos foram utilizados por outra pessoa.
Nathalia decidiu questionar o que havia acontecido e começou a filmar os próprios equipamentos. Foi nesse momento, segundo a acusação, que a discussão adquiriu contornos mais graves.
Maquiadora relatou agressão e retenção no camarim
Nathalia afirmou que o produtor Willian Pereira Clemente atingiu seu punho com um soco e retirou o celular de suas mãos, interrompendo a gravação que estava sendo feita.
A profissional também declarou que foi impedida de deixar o camarim e permaneceu trancada no espaço até a chegada da Polícia Militar. O episódio terminou com a presença dos agentes no local.
No dia seguinte, Nathalia realizou exame de corpo de delito. O documento constatou uma lesão corporal e passou a integrar o conjunto de elementos apresentados durante a ação.
A defesa dos acusados negou tanto o tratamento degradante quanto a agressão. Também argumentou que Jorge e Mateus não tiveram contato direto com os profissionais e atribuiu o conflito aos integrantes da equipe que atuavam nos bastidores.
Os pedidos de indenização inicialmente apresentados foram de R$ 150 mil para Nathalia e R$ 50 mil para Pedro. Esses valores, entretanto, não foram mantidos integralmente ao final do julgamento.
Justiça reconheceu responsabilidade solidária da dupla
Segundo o comunicado divulgado pelos advogados dos profissionais, a Justiça reconheceu o tratamento degradante, a utilização indevida dos materiais e a agressão física constatada pelo laudo.
O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve o reconhecimento dos fatos e a responsabilidade solidária dos réus. A corte fez apenas um ajuste no valor estabelecido para a reparação.
No caso de Jorge e Mateus, a decisão não afirma que os artistas tenham participado diretamente da agressão. Esse ponto é fundamental para compreender corretamente o alcance da condenação.
A responsabilidade atribuída aos cantores decorre do entendimento de que eles tinham conhecimento da contratação e da presença dos profissionais no evento. Por isso, passaram a responder solidariamente pelos atos praticados pela equipe.
Responsabilidade solidária significa que os envolvidos reconhecidos na ação podem ser responsabilizados pelo pagamento da reparação. Isso não transforma automaticamente todos os réus em autores diretos de cada conduta narrada.
Condenação foi fixada em aproximadamente R$ 50 mil
Com o encerramento definitivo da disputa, o pagamento foi estabelecido em aproximadamente R$ 50 mil, considerando os valores atualizados informados após o julgamento.
A quantia ficou abaixo dos pedidos iniciais apresentados pelos profissionais. Ainda assim, os advogados de Nathalia e Pedro destacaram que o resultado confirmou o reconhecimento judicial dos fatos discutidos durante o processo.
Fernando Figueiredo, advogado dos profissionais, afirmou que o caso foi analisado em todas as instâncias com direito ao contraditório e à ampla defesa. Segundo ele, vídeos, documentos, testemunhas e o laudo pericial foram considerados.
O escritório também declarou esperar que a decisão produza um efeito pedagógico sobre o tratamento destinado aos trabalhadores contratados para atuar nos bastidores de grandes eventos.
A manifestação ressaltou que o objetivo do processo não estava limitado ao valor financeiro. Para a defesa dos profissionais, o caso também chama atenção para as condições oferecidas a prestadores de serviço longe dos palcos.
Caso expõe rotina de trabalhadores dos bastidores
Grandes shows dependem de profissionais que raramente aparecem diante do público. Maquiadores, técnicos, produtores, seguranças e equipes de apoio trabalham durante horas para viabilizar cada apresentação.
No caso envolvendo Nathalia e Pedro, a contratação para atender uma das maiores duplas do sertanejo terminou em espera prolongada, conflito, ocorrência policial e uma batalha judicial.
O processo também reforça que a ausência de contato direto entre artistas e prestadores não necessariamente afasta a responsabilidade civil relacionada à atuação das equipes contratadas.
Ao mesmo tempo, a decisão precisa ser relatada sem atribuir aos cantores uma agressão direta que não foi reconhecida contra eles. A condenação da dupla está relacionada à responsabilidade solidária estabelecida pela Justiça.
O caso em que Jorge e Mateus foram condenados encerra uma disputa iniciada nos bastidores da Festa do Peão de Americana. Com a reparação fixada em cerca de R$ 50 mil, o processo deixa um alerta sobre respeito, estrutura e responsabilidade no tratamento dos profissionais que trabalham longe dos holofotes.