Ministério Público da Bahia questiona cachês de artistas para o São João; duplas como Maiara e Maraisa estão na mira da investigação
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) retornou a contestar os altos cachês de artistas contratados para os festejos juninos de 2026, incluindo a renomada dupla Maiara e Maraisa.
Em 5 de junho, o MP-BA recomendou a revisão dos contratos de diversas apresentações, denunciando discrepâncias significativas entre os valores pagos e a média estadual de cachês. Além de Maiara e Maraisa, o cantor Rey Vaqueiro também é alvo de questionamentos pelo órgão, que já havia sinalizado irregularidades em contratações anteriores.
Os contratos investigados incluem o de Rey Vaqueiro, estipulado em R$ 500 mil, valor que supera em mais de 60% a média de R$ 290 mil, ajustada pela Secretaria de Cultura do estado. A contratação da dupla, que chega a R$ 784 mil, também ultrapassa o limite de R$ 700 mil estipulado pela Nota Técnica Conjunta nº 01/2026, emitida pelo MP-BA e tribunais de contas estaduais.
Contratos de artistas para o São João na Bahia são novamente questionados pelo MP
As recomendações do MP-BA incluem a suspensão do contrato de Rey Vaqueiro até que as investigações sejam concluídas, além do envio de documentos que comprovem a saúde financeira do município e a publicação dos contratos no Painel Nacional de Contratações Públicas (PNCP).
Maiara e Maraisa, Rey Vaqueiro e o cantor Léo Foguete já enfrentaram recomendações semelhantes anteriores, após o MP-BA identificar indícios de superfaturamento. O órgão destacou que a ausência de publicidade obrigatória em alguns contratos é uma das questões que agrava a situação. No caso da dupla, o valor de seu cachê não foi encontrado no PNCP.
Além disso, o MP-BA reconhece que, para apresentações futuras, se o valor ultrapassar R$ 700 mil, as prefeituras precisarão apresentar comprovações objetivas de sua capacidade financeira para justificar tais despesas, uma medida que busca trazer mais transparência e responsabilidade fiscal na administração pública.
Outra recomendação recente do MP-BA foi a suspensão das apresentações da banda Calcinha Preta e do cantor Netto Brito em Iraquara, cujos contratos somam R$ 936 mil. O valor foi considerado acima do praticado pelo mercado, complicando ainda mais a situação.
As recomendações, emitidas pelo promotor de Justiça Lucas Peixoto Valente, são parte de um esforço mais amplo para regulamentar e assegurar maior clareza nas contratações de artistas para festividades estatais. Até o momento, as autoridades não divulgaram se alguma medida concreta foi implementada em relação aos contratos contestados.
Novas informações podem surgir à medida que as investigações avanças e mais detalhes sobre os contratos venham à tona, impactando diretamente a realização dos festejos juninos na Bahia.
