Veterana explicou sugestão para Simone gravar músicas românticas, reafirmou que não gosta de sofrência e negou rivalidade entre as cantoras.
Sula Miranda decidiu esclarecer a repercussão de suas críticas ao repertório de Simone Mendes e afirmou que sua fala nunca teve a intenção de criar uma briga no sertanejo. A cantora, conhecida como Rainha dos Caminhoneiros, voltou ao assunto durante entrevista ao Intervenção Podcast, apresentado por Roger Turchetti.
O comentário que gerou debate surgiu quando Sula sugeriu que Simone Mendes poderia explorar canções românticas em sua trajetória solo. Para a veterana, a voz da ex-integrante de Simone & Simaria teria força para interpretar músicas sobre relações felizes e histórias de amor bem-sucedidas.
Na nova entrevista, a cantora sertaneja Sula Miranda reforçou a admiração que tem pela colega. “Acho ela uma das vozes mais bonitas do sertanejo atual”, afirmou. Ao mesmo tempo, deixou claro que mantém a opinião de que Simone poderia apresentar outra faceta artística ao público, sem abandonar necessariamente a linha que já consolidou desde o fim da dupla com Simaria.
O episódio colocou duas visões diferentes do sertanejo feminino em evidência. De um lado, Sula Miranda defende um repertório mais romântico e positivo. Do outro, Simone Mendes segue como uma das principais intérpretes da sofrência, vertente que transforma dor, despedida e desilusão em grandes sucessos populares.
Por que Sula Miranda sugeriu mudança de repertório?
Segundo Sula, o comentário surgiu da percepção de que Simone vive uma realidade pessoal diferente das histórias retratadas em muitas de suas músicas. Casada com Kaká Diniz e mãe de dois filhos, a sertaneja poderia, na avaliação da Rainha dos Caminhoneiros, gravar faixas mais ligadas ao amor estável e à felicidade familiar.
A sugestão foi feita inicialmente em participação no podcast Kaka Pod. Na ocasião, Sula questionou por que Simone continuava interpretando letras de sofrimento amoroso mesmo vivendo uma fase pessoal considerada positiva. A fala dividiu opiniões porque encostou em um ponto central da música popular: artistas não precisam cantar apenas o que vivem.
Na entrevista mais recente, Sula tentou reduzir a temperatura da discussão. Ela afirmou que cada artista tem autonomia para escolher a própria carreira e reconheceu que Simone encontrou uma fórmula que dialoga diretamente com o público sertanejo.
Para a veterana, a proposta nunca foi impor um caminho. O desejo seria ouvir Simone em músicas românticas porque ela enxerga na cantora um timbre poderoso, capaz de dar outra dimensão a esse tipo de composição. Sula também relatou que chegou a brincar com Simone nos bastidores do Altas Horas, dizendo que ainda gostaria de vê-la cantando uma canção de amor feliz.
A declaração que circulou nas redes, com uma brincadeira sobre não levar a crítica “para o coração”, reforçou o tom descontraído adotado por Sula. Apesar da repercussão, ela não apontou nenhum conflito pessoal com Simone Mendes.
Sofrência é escolha artística e estratégia de carreira
A discussão levantada por Sula Miranda não é apenas sobre gosto musical. A sofrência se tornou uma das linguagens mais fortes do sertanejo contemporâneo, especialmente entre as vozes femininas. O estilo trabalha com frustração, ciúme, recaída, traição e superação, assuntos que criam identificação imediata com milhões de ouvintes.
Simone Mendes construiu a carreira solo justamente a partir dessa conexão emocional. Depois do fim da dupla com Simaria, ela emplacou faixas como “Erro Gostoso” e “Dois Tristes”, canções que ajudaram a manter sua presença em rádios, plataformas digitais, festas de peão e grandes festivais.
Em encontro posterior entre as duas no palco do Altas Horas, Simone explicou que suas letras não são necessariamente autobiográficas. A artista defendeu que interpreta histórias capazes de alcançar o sentimento do público e resumiu sua posição ao dizer que “o povo ama a sofrência, a dor na alma”.
A resposta foi direta, mas não agressiva. Simone deixou claro que continuará apostando em um repertório que tem resultado comercial e afetivo, enquanto Sula reconheceu que a sertaneja está no direito de conduzir a carreira da maneira que considera mais adequada.
Essa é uma característica antiga da música sertaneja. Canções de desilusão, saudade e amores interrompidos já apareciam nas modas de viola e no sertanejo romântico décadas antes da expressão sofrência se popularizar. O que mudou foi a escala: hoje, esse sentimento também movimenta vídeos curtos, playlists, tendências e estratégias de lançamento.
Há briga entre Sula Miranda e Simone Mendes?
Até o momento, não há sinal de uma briga confirmada entre Sula Miranda e Simone Mendes. O que existe é uma divergência pública de visão artística, seguida por declarações de respeito entre as duas cantoras.
Sula não retirou a opinião sobre a preferência por músicas românticas, mas fez questão de elogiar a voz e a interpretação de Simone. Já a sertaneja não mudou sua direção musical, porém explicou que as faixas de sofrimento fazem parte de uma escolha profissional e de uma demanda real de seu público.
A repercussão mostra como o sertanejo continua sendo um gênero aberto a disputas estéticas. Há ouvintes que procuram músicas para celebrar relações felizes, enquanto outros encontram conforto justamente em letras sobre fim de namoro, distância e recomeço. Nenhuma dessas vertentes elimina a outra.
Para Sula Miranda, o amor feliz merece mais espaço nos alto-falantes. Para Simone Mendes, a sofrência continua tendo lugar garantido porque traduz dores que o público reconhece. No fim, o debate expõe duas formas legítimas de olhar para a música sertaneja, sem evidência de rivalidade pessoal entre as artistas.
